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Casa Térrea com Sala Aberta para o Deck: Projeto Completo de Estar, Jantar Externo e Paisagismo
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Casa Térrea com Sala Aberta para o Deck: Projeto Completo de Estar, Jantar Externo e Paisagismo

RA
Rodrigo Alves
·24 de setembro de 2026· 6 min de leitura

Acompanhe um projeto de casa térrea em que a sala se abre por completo para um deck de madeira, com área de jantar externa, estar com poltronas em corda náutica e paisagismo de baixa manutenção. Layout, materiais e soluções de conforto explicados etapa por etapa.

Poucas soluções arquitetônicas transformam tanto a experiência de morar quanto uma sala que se abre por inteiro para a área externa. Quando as portas de vidro correm e o piso interno encontra o deck sem degraus, a casa ganha o dobro de espaço útil e passa a viver em contato direto com a luz, a brisa e o verde. Neste projeto, acompanhamos a reforma de uma casa térrea de 180 m² em um lote de 12 x 30 metros, em que o objetivo principal era justamente esse: integrar estar, jantar e jardim em um único grande ambiente.

O ponto de partida

A casa original tinha uma sala fechada, com uma janela convencional voltada para um quintal cimentado e pouco aproveitado. A cozinha ficava isolada, e a área de lazer se resumia a uma churrasqueira antiga no fundo do lote. Os moradores, um casal com dois filhos adolescentes, queriam receber amigos com frequência, ter um espaço externo agradável para as refeições e reduzir a manutenção do jardim.

Diretrizes do projeto

  • Abrir a fachada posterior da sala com portas de vidro de grande dimensão.
  • Criar um deck contínuo ao piso interno, sem desnível.
  • Organizar a área externa em três zonas: estar, jantar e jardim.
  • Proteger o deck do sol da tarde e da chuva com uma cobertura leve.
  • Adotar paisagismo tropical de baixa manutenção.

A grande abertura

A intervenção mais importante foi a substituição da antiga janela por um vão de 6 metros. Como a casa tinha estrutura em concreto armado, o engenheiro responsável dimensionou uma nova viga para vencer o vão, apoiada em dois pilares existentes. O fechamento foi feito com portas de correr em alumínio com quatro folhas, sendo duas móveis, e vidro laminado de controle solar. Com as folhas abertas, metade do vão fica completamente livre; com elas fechadas, a sala continua recebendo luz natural e vista para o jardim.

O trilho foi embutido no piso, de modo que o porcelanato da sala e o deck ficassem no mesmo nível. Para evitar a entrada de água da chuva, o deck recebeu caimento de 1% para o jardim e uma canaleta de drenagem com grelha discreta junto à esquadria.

O deck de madeira

O deck, com cerca de 45 m², foi executado em cumaru, madeira de alta densidade e grande durabilidade em áreas externas. As réguas foram fixadas com sistema oculto sobre barrotes de madeira tratada, apoiados em uma base de concreto com drenagem. A cada seis meses, a manutenção prevê limpeza e aplicação de óleo protetor, preservando a cor natural e evitando rachaduras.

Cobertura leve

Sobre parte do deck, foi instalada uma pérgola de estrutura metálica com cobertura em vidro laminado e forro de ripas de madeira por baixo. A solução protege da chuva a área de jantar externa e cria uma luz filtrada muito agradável. A área de estar ficou parcialmente descoberta, aproveitando o sol da manhã.

Zona de jantar externa

A área de jantar ocupa o trecho coberto do deck, próximo à cozinha, que também ganhou uma janela-balcão voltada para fora. A mesa em madeira maciça com tampo de 2,20 m recebe até oito pessoas. Para as cadeiras, a escolha recaiu sobre modelos em alumínio com trama em corda náutica, que resistem ao sol e à umidade, são leves para mover e confortáveis para refeições longas. A mesma linha de mobiliário foi usada dentro da sala de jantar, reforçando a continuidade entre os ambientes.

Um pendente de fibra natural, com proteção para uso externo, ilumina a mesa à noite. Tomadas externas com proteção contra umidade foram instaladas junto à parede da cozinha para eletrodomésticos e iluminação decorativa.

Zona de estar ao ar livre

Do outro lado do deck, um conjunto de poltronas em alumínio e corda náutica, com almofadas em tecido próprio para área externa, forma o estar ao ar livre. As peças foram dispostas em torno de uma mesa de centro baixa, de frente para o jardim. Um tapete de polipropileno delimita a zona e traz aconchego sem sofrer com a umidade. À noite, balizadores de LED no deck e spots embutidos no jardim criam uma atmosfera intimista.

Paisagismo tropical de baixa manutenção

O antigo quintal cimentado deu lugar a um jardim com canteiros elevados e grama apenas em uma faixa central, usada pelos filhos. A seleção de espécies privilegiou plantas resistentes, que exigem pouca poda e irrigação moderada.

  • Maciços de palmeira-ráfis e costela-de-adão: volume e sombra junto aos muros.
  • Helicônias e alpínias: cor e textura tropical.
  • Forrações de grama-preta e dianela: acabamento dos canteiros.
  • Árvore de pequeno porte: uma pitangueira, que oferece sombra e frutos.

Um sistema de irrigação por gotejamento automatizado reduz o consumo de água e o trabalho dos moradores. Os muros laterais foram revestidos com painéis de madeira e jardins verticais em trechos pontuais, garantindo privacidade.

A cozinha integrada ao fluxo externo

Para que a casa funcionasse bem em dias de festa, a cozinha foi reorganizada por zonas, com geladeira próxima à janela-balcão, bancada de preparo contínua e armários com gavetões para panelas junto ao cooktop. Organizadores na geladeira e na despensa mantêm tudo à vista, e um jogo de panelas coordenado, em tom neutro, fica exposto em prateleiras abertas, compondo a decoração em madeira e bege.

Conforto térmico e ventilação

A combinação da grande abertura com uma janela alta na parede oposta da sala criou ventilação cruzada, que mantém a casa fresca mesmo no verão. A pérgola e a vegetação filtram o sol da tarde, e o vidro de controle solar reduz o ganho de calor quando as portas estão fechadas.

Custos e cronograma

A obra foi executada em cerca de quatro meses. A etapa mais longa foi a estrutural, com a execução da nova viga e a abertura do vão, seguida da instalação das esquadrias sob medida, que exigiram cerca de 45 dias de fabricação. O deck e a pérgola foram montados em paralelo ao paisagismo, na fase final. Em termos de investimento, as esquadrias de grande dimensão e a estrutura representaram a maior parte do orçamento, seguidas pelo deck em madeira de lei. Mobiliário externo, iluminação e plantas completaram o valor total. Os moradores optaram por comprar o mobiliário em etapas, começando pela mesa de jantar e pelas poltronas, e completando o estar externo alguns meses depois.

Resultado

A área útil de convivência da casa praticamente dobrou sem ampliação construída. A sala passou a ser o ambiente mais usado, e o deck se transformou em extensão natural do dia a dia: café da manhã ao ar livre, estudos à tarde na mesa externa e jantares com amigos à noite. O projeto mostra que, em casas térreas, a integração com a área externa é uma das intervenções com melhor retorno em qualidade de vida — e que escolhas de materiais resistentes e mobiliário versátil garantem que essa integração funcione por muitos anos.

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